Não quero, rejeito
Tua vergonha de mim
Não quero, desprezo
Teu pouco caso de nós
Pois não sou tua manta
Guardada na burra
Que te esquenta o pé
E te incomoda depois
Não sou teu canário
Que deleita teus ouvidos
E está preso na gaiola
Sou como colar e brincos
De pérola, uma pérola
Que te enfeita e, às vezes
Vale mais que teu sorriso.
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
terça-feira, 19 de novembro de 2019
Teu peso n'água
Teu peso n'água era nada
E eu te levei à flor, flor d'água
Porque era fácil te sentir
E saber do futuro em meu colo
E do mel em teus seios
Teu peso n'água era simples
Pois nada vivemos e,
Mesmo assim, planejamos
Como uma rota de nau errante
Em ventos tristes de calmaria
Soprados pelos mesmos ventos
Que levantam as águas leves
Que vão acima, é teu ventre a quilha
Que quebra a tensão superficial
E navega acima das correntes
Que um dia nos tragaram ao fundo
E ao passado, que já não sopra
Nessas velas infladas
Lançadas pelo teu peso leve.
E eu te levei à flor, flor d'água
Porque era fácil te sentir
E saber do futuro em meu colo
E do mel em teus seios
Teu peso n'água era simples
Pois nada vivemos e,
Mesmo assim, planejamos
Como uma rota de nau errante
Em ventos tristes de calmaria
Soprados pelos mesmos ventos
Que levantam as águas leves
Que vão acima, é teu ventre a quilha
Que quebra a tensão superficial
E navega acima das correntes
Que um dia nos tragaram ao fundo
E ao passado, que já não sopra
Nessas velas infladas
Lançadas pelo teu peso leve.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Mono-espólio
Depois de você,
eu amei de novo.
Me entreguei.
Depois de você,
Tudo fez sentido.
Não por você,
Por mim.
Que me desconhecia
tanto
a ponto
de amar você.
Depois de você
Tudo é mais simples,
Agora.
Você não está
aqui
Parece que meu verso
é sobre você,
mas não é sobre você.
É sobre mim.
E o quanto me permito
viver
sem você.
Como se não existisse
você
Em mim
Mas existe algo.
Hoje existe.
Que não é você,
É ela
Eu a amo tanto
Que não a amo
Pois a amo tanto
Que antes amo
A mim.
eu amei de novo.
Me entreguei.
Depois de você,
Tudo fez sentido.
Não por você,
Por mim.
Que me desconhecia
tanto
a ponto
de amar você.
Depois de você
Tudo é mais simples,
Agora.
Você não está
aqui
Parece que meu verso
é sobre você,
mas não é sobre você.
É sobre mim.
E o quanto me permito
viver
sem você.
Como se não existisse
você
Em mim
Mas existe algo.
Hoje existe.
Que não é você,
É ela
Eu a amo tanto
Que não a amo
Pois a amo tanto
Que antes amo
A mim.
Ela é a vida
Que é minha
Pois depois de você
Persisto eu
Em mim.
Que é minha
Pois depois de você
Persisto eu
Em mim.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Pobre, pétrea e pífia poesia!
Nem que fale de toda a beleza,
Nem que finde toda a tinta e toda a imaginação dos poetas,
Jamais saberás quão mais belo é aquele sorriso!
Nunca teus versos contarão o abraço que me pacifica...
Ou chorarão os lamentos das nossas despedidas.
Dou-te notas e acordes, poesia,
e mesmo que te façam música, quão mais harmoniosa é a voz da minha pequena!
O nome dela é Alegria Plena...para mim e para teus versos!
Escrito em 29 de outubro de 2012*
Nem que fale de toda a beleza,
Nem que finde toda a tinta e toda a imaginação dos poetas,
Jamais saberás quão mais belo é aquele sorriso!
Nunca teus versos contarão o abraço que me pacifica...
Ou chorarão os lamentos das nossas despedidas.
Dou-te notas e acordes, poesia,
e mesmo que te façam música, quão mais harmoniosa é a voz da minha pequena!
O nome dela é Alegria Plena...para mim e para teus versos!
Escrito em 29 de outubro de 2012*
Em que parte do meu corpo habitas?
É minha cabeça a pensar em ti
São meus dedos desejosos por tocar teus cabelos,
tirá-los da tua fronte para que meus olhos contemplem a imensidão dos teus!
É minha boca ansiosa por te dizer doces palavras e roubar-te um beijo.
Ou então minhas pernas inquietas, que querem correr o mundo para te encontrar!
É o coração sonoro, a mão gelada buscando a tua.
Fragmentado, sou seu. Por inteiro, também te pertenço!
Escrito em 29 de outubro de 2012*
É minha cabeça a pensar em ti
São meus dedos desejosos por tocar teus cabelos,
tirá-los da tua fronte para que meus olhos contemplem a imensidão dos teus!
É minha boca ansiosa por te dizer doces palavras e roubar-te um beijo.
Ou então minhas pernas inquietas, que querem correr o mundo para te encontrar!
É o coração sonoro, a mão gelada buscando a tua.
Fragmentado, sou seu. Por inteiro, também te pertenço!
Escrito em 29 de outubro de 2012*
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Borboletas são recorrentes quando escrevo. Elas representam um sentimento bastante distinto, ao qual nunca pude dar nome. É sentir para sabê-lo.
Volta da Parapaná II
Que alegria ver- e haver - borboletas em mim
Avançam no peito em ares de verão e primavera
Trazem luz e umidade que findam a longa espera
Voam a toa no meu ventre feito de lago ou jardim.
Coletivo frenético e colorido, retorna a parapaná
Neste âmago que fora somente seca e deserto
hoje a natureza abunda pelo meu corpo aberto
prazer em água doce, paixão que alimenta é maná.
Volta da Parapaná II
Que alegria ver- e haver - borboletas em mim
Avançam no peito em ares de verão e primavera
Trazem luz e umidade que findam a longa espera
Voam a toa no meu ventre feito de lago ou jardim.
Coletivo frenético e colorido, retorna a parapaná
Neste âmago que fora somente seca e deserto
hoje a natureza abunda pelo meu corpo aberto
prazer em água doce, paixão que alimenta é maná.
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Gosto que leiam os poemas meus
Como gosto que vejam meus olhos
E vejam com meus olhos o mundo
Velado pelas sombras do cotidiano
Gosto que vejam o ar pálido e pútreo
Que dança magnético entre os dedos
Hálito denso de coisas não digeridas
Sentimentos resolutos e não resolvidos
Tão sólidos e, pasmem, tão invisíveis
Como a certeza das coisas não ditas
Que fazem do silêncio uma sentença
E fazem dos versos meus uma lâmina
Que corta n'alma e não atinge a carne
Para que a apatia apeteça aos homens
Ainda que o pranto lhes escorra na face.
Como gosto que vejam meus olhos
E vejam com meus olhos o mundo
Velado pelas sombras do cotidiano
Gosto que vejam o ar pálido e pútreo
Que dança magnético entre os dedos
Hálito denso de coisas não digeridas
Sentimentos resolutos e não resolvidos
Tão sólidos e, pasmem, tão invisíveis
Como a certeza das coisas não ditas
Que fazem do silêncio uma sentença
E fazem dos versos meus uma lâmina
Que corta n'alma e não atinge a carne
Para que a apatia apeteça aos homens
Ainda que o pranto lhes escorra na face.
Eles dizem que, por vezes, te encontram
Eu digo que eles mentem e são loucos.
Dizem que te veêm, feliz, seguir adiante.
Eu digo que falam de algo morto e findo.
Apenas um fantasma, ilusão de óptica.
Não sabem eles do teu assassinato?
Não sabem que te esganei sem pudor?
Até tirar de mim todo o teu ar.
Que te esfaqueei do ventre à mandíbula?
Até esvair de mim todo teu sangue.
Que mastiguei teu fígado e teu coração?
Até não haver em mim teu humor,
E muito menos, esse menos ainda,
O teu amor.
Eu digo que eles mentem e são loucos.
Dizem que te veêm, feliz, seguir adiante.
Eu digo que falam de algo morto e findo.
Apenas um fantasma, ilusão de óptica.
Não sabem eles do teu assassinato?
Não sabem que te esganei sem pudor?
Até tirar de mim todo o teu ar.
Que te esfaqueei do ventre à mandíbula?
Até esvair de mim todo teu sangue.
Que mastiguei teu fígado e teu coração?
Até não haver em mim teu humor,
E muito menos, esse menos ainda,
O teu amor.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
É noite e faz calor.
Não porque a noite é quente,
Faz calor em mim.
E não porque a noite é noite
Faz noite em mim,
E não durmo.
Se sou noite, é propício dormir.
Mas não venta.
Não venta a noite,
Porque nada faz vento em mim.
Um vento que lave e arranque,
Vento de tempestade
Ainda que faça tempestade em mim
Não vento. Não ventilo.
Há um sufoco asmático,
E meu alívio é um uivo.
Porque sou um animal noturno
Se sou, não é propício dormir.
Não porque a noite é quente,
Faz calor em mim.
E não porque a noite é noite
Faz noite em mim,
E não durmo.
Se sou noite, é propício dormir.
Mas não venta.
Não venta a noite,
Porque nada faz vento em mim.
Um vento que lave e arranque,
Vento de tempestade
Ainda que faça tempestade em mim
Não vento. Não ventilo.
Há um sufoco asmático,
E meu alívio é um uivo.
Porque sou um animal noturno
Se sou, não é propício dormir.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Pré-existir não é diferente de existir,
Existe plena consciência do por-vir
Vaguear, isso é bem diferente de estar
Perdi recentemente os grilhões
E por isso não estou
Permaneço
Quando quero, quando há de se querer.
E se não quero, não fujo.
Fecho a porta como abri a porta.
É um estado resolutivo de poder ir
E querer ficar
Às vezes fico.
Minto.
Permaneço.
Porque só há um lugar para habitar
Em si
E ser de si
Como a garrafa vazia e cheio de ar
Tão cheia de si
Que mesmo vazia, ostenta um rótulo,
Mesmo que já lhe houvessem sorvido
Pois eles estão fartos,
Eu e a garrafa estamos plenos.
Existe plena consciência do por-vir
Vaguear, isso é bem diferente de estar
Perdi recentemente os grilhões
E por isso não estou
Permaneço
Quando quero, quando há de se querer.
E se não quero, não fujo.
Fecho a porta como abri a porta.
É um estado resolutivo de poder ir
E querer ficar
Às vezes fico.
Minto.
Permaneço.
Porque só há um lugar para habitar
Em si
E ser de si
Como a garrafa vazia e cheio de ar
Tão cheia de si
Que mesmo vazia, ostenta um rótulo,
Mesmo que já lhe houvessem sorvido
Pois eles estão fartos,
Eu e a garrafa estamos plenos.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Em que penso?
Penso naquela brisa, naquele dia
Penso nas andorinhas que voavam
De penas tão negras, que azulavam
Penso nos canários-da-terra
Tão afoitos por ciscar e bicar ao chão
Que não invejavam as andorinhas
Pareciam canários-de-terra
Com perninhas terracota feito raízes
E a cabeça de peninhas amarelo-flor-de-ipê
Penso no barulho da água do rio
Oferta de Iara e oferenda à Iemanjá
Na infinidade de peixes de rio
De água doce, de gestos doces,
Penso na sereia e em pedras voadoras
De pedaços planos, polidos pelo tempo
Que lanço à flor d'água, quicam e são leves
Duras e leves por um instante, como eu
Como andorinhas que migram e são leves.
As pedras beijam a água com doçura
Cinco, seis, as vezes sete beijos de amor
E se deixam afundar. Também mergulho.
Amar é leve, é doce, é uma pedrada.
Em quem penso?
Em ninguém. Penso na brisa.
Penso naquela brisa, naquele dia
Penso nas andorinhas que voavam
De penas tão negras, que azulavam
Penso nos canários-da-terra
Tão afoitos por ciscar e bicar ao chão
Que não invejavam as andorinhas
Pareciam canários-de-terra
Com perninhas terracota feito raízes
E a cabeça de peninhas amarelo-flor-de-ipê
Penso no barulho da água do rio
Oferta de Iara e oferenda à Iemanjá
Na infinidade de peixes de rio
De água doce, de gestos doces,
Penso na sereia e em pedras voadoras
De pedaços planos, polidos pelo tempo
Que lanço à flor d'água, quicam e são leves
Duras e leves por um instante, como eu
Como andorinhas que migram e são leves.
As pedras beijam a água com doçura
Cinco, seis, as vezes sete beijos de amor
E se deixam afundar. Também mergulho.
Amar é leve, é doce, é uma pedrada.
Em quem penso?
Em ninguém. Penso na brisa.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Aquele que tanto me tirou
Não tomou para si a alegria de viver
Pois ele me viu sucumbir por amor
E me levantar pelo amor d'outros
E me viu me entregar
Sem gozar do mesmo
E me viu partir, cheio das ânsias de voltar
Para partir, derradeiro, desejoso de mim mesmo
E tanto adicionei, preposto e aditivo
Que mesmo em tom de suplício
Dava-me a mim mesmo por querer lhe ser o todo
Mas não me fiz de tolo, fui tudo e mui antes
Meu melhor, primeiro e último amante
De tudo que senti, com sinceridade pueril
E nunca vivi o engano
Fui rei e paisano, coroado no anonimato de viver só
Aquele que nunca se entregou ao pó
Ciente de transcender pelo amor
Cativo de amar e tornar a amar mais que a vida
Fiz da minha despedida um poema sem rima
Sem adeus e cheio de si.
Não tomou para si a alegria de viver
Pois ele me viu sucumbir por amor
E me levantar pelo amor d'outros
E me viu me entregar
Sem gozar do mesmo
E me viu partir, cheio das ânsias de voltar
Para partir, derradeiro, desejoso de mim mesmo
E tanto adicionei, preposto e aditivo
Que mesmo em tom de suplício
Dava-me a mim mesmo por querer lhe ser o todo
Mas não me fiz de tolo, fui tudo e mui antes
Meu melhor, primeiro e último amante
De tudo que senti, com sinceridade pueril
E nunca vivi o engano
Fui rei e paisano, coroado no anonimato de viver só
Aquele que nunca se entregou ao pó
Ciente de transcender pelo amor
Cativo de amar e tornar a amar mais que a vida
Fiz da minha despedida um poema sem rima
Sem adeus e cheio de si.
domingo, 7 de julho de 2019
Pedrinho era criador de galinhas. Certa feita, após uma caça bem executada e um plano de vôo desastroso, uma rapina deixou cair dentro do galinheiro a sua próxima refeição: um belo filhote de cisne.
E o cisnezinho passou a viver entre os demais. Afeiçoou-se a Pedrinho de tal maneira que sempre andavam juntos nas esporádicas visitas ao quintal das aves. Pedrinho também tinha um carinho especial por aquela ave companheira, porém duvidando de que ali pudesse nascer algo que não fosse galinha, nunca percebeu a ave como mais bela, de maior envergadura, de maior valor.
Próximo ao Natal, vieram-lhe visitar a granja. Pedrinho, que tantas aves tinha em seu quintal, falou ao comprador:
- Escolha qualquer ave e tome para si. Sei bem da qualidade das minhas galinhas.
- E todas tem o mesmo valor? - disse o cliente, um famoso criador de caprinos, vindo de muitas léguas.
- É escolher uma e pagar-me a justa quantia de dois mil réis.
Como criador de cabras e bodes, pouco sabia de galinhas. Deixou-se tomar pela intuição e logo pôs os olhos no jovem cisne, visivelmente diferente dos demais. Ainda que não o soubesse uma ave ornamental, companheira e de grande valor, seus olhos e coração estavam abertos às diferenças que o tornavam especial.
- Levarei o exemplar pescoçudo que percorre teus passos ao caminhar.
A escolha acertara o ego de Pedrinho como um tiro de carabina. Era a "galinha" que mais gostava, afinal. Porém, orgulhoso, não se opôs à própria palavra lançada e deixou que aquele cliente seguisse o ponteiro vermelho da bússola, rumo a suas terras, com o cisne no balaio.
Era tanto sofrimento também no coração da ave que seu habitual gorjear transformou-se no que chamamos canto do cisne. Embora fosse aquele um canto de morte, eregiu seu pescoço alongado, passando a cabeça por entre o vime e, assim como quando escapou das garras do pedrador, muito antes, desvencilhou-se da tristeza mortal e contemplou o caminho a frente.
Pedrinho ouviu de longe a melodia e percebeu sua estupidez, na justa medida que o novo proprietário regozijava-se pela sábia escolha. Chegando ao destino, deu célebre tratamento ao cisne. Fez-lhe senhor de uma ampla lagoa e juntos passavam as tardes entre quirelas e pescaria. Jurou para si que não trocaria o cisne branco, por quem nutria imensurável admiração, nem pela galinha dos ovos de ouro.
E o cisnezinho passou a viver entre os demais. Afeiçoou-se a Pedrinho de tal maneira que sempre andavam juntos nas esporádicas visitas ao quintal das aves. Pedrinho também tinha um carinho especial por aquela ave companheira, porém duvidando de que ali pudesse nascer algo que não fosse galinha, nunca percebeu a ave como mais bela, de maior envergadura, de maior valor.
Próximo ao Natal, vieram-lhe visitar a granja. Pedrinho, que tantas aves tinha em seu quintal, falou ao comprador:
- Escolha qualquer ave e tome para si. Sei bem da qualidade das minhas galinhas.
- E todas tem o mesmo valor? - disse o cliente, um famoso criador de caprinos, vindo de muitas léguas.
- É escolher uma e pagar-me a justa quantia de dois mil réis.
Como criador de cabras e bodes, pouco sabia de galinhas. Deixou-se tomar pela intuição e logo pôs os olhos no jovem cisne, visivelmente diferente dos demais. Ainda que não o soubesse uma ave ornamental, companheira e de grande valor, seus olhos e coração estavam abertos às diferenças que o tornavam especial.
- Levarei o exemplar pescoçudo que percorre teus passos ao caminhar.
A escolha acertara o ego de Pedrinho como um tiro de carabina. Era a "galinha" que mais gostava, afinal. Porém, orgulhoso, não se opôs à própria palavra lançada e deixou que aquele cliente seguisse o ponteiro vermelho da bússola, rumo a suas terras, com o cisne no balaio.
Era tanto sofrimento também no coração da ave que seu habitual gorjear transformou-se no que chamamos canto do cisne. Embora fosse aquele um canto de morte, eregiu seu pescoço alongado, passando a cabeça por entre o vime e, assim como quando escapou das garras do pedrador, muito antes, desvencilhou-se da tristeza mortal e contemplou o caminho a frente.
Pedrinho ouviu de longe a melodia e percebeu sua estupidez, na justa medida que o novo proprietário regozijava-se pela sábia escolha. Chegando ao destino, deu célebre tratamento ao cisne. Fez-lhe senhor de uma ampla lagoa e juntos passavam as tardes entre quirelas e pescaria. Jurou para si que não trocaria o cisne branco, por quem nutria imensurável admiração, nem pela galinha dos ovos de ouro.
sábado, 6 de julho de 2019
terça-feira, 2 de julho de 2019
QUEM SOU ENTRE VÓS
O olho que me conhece
Nem sempre apenas vê
Prefiro morrer Bukowski
Em meio à paisagem de Monet.
3 de julho de 2018
Nem sempre apenas vê
Prefiro morrer Bukowski
Em meio à paisagem de Monet.
3 de julho de 2018
Arte/fato
A vida é um fragmento escarlate
Pedaço de vidro descartado, trincado, pintado de sangue
Fortuna e fadário que nos arremessa e bate
Me fiz mosaico, prosaico e arcaico, enterrado no mangue.
O que fez dessa peça téssera uma jóia?
Batalhas travadas, cravadas, entalhadas em tabuleiro de ouro
Issus em Pompéia, um cavalo de Tróia,
Serei um dia resgatado, lavado, considerado tesouro.
Pedaço de vidro descartado, trincado, pintado de sangue
Fortuna e fadário que nos arremessa e bate
Me fiz mosaico, prosaico e arcaico, enterrado no mangue.
O que fez dessa peça téssera uma jóia?
Batalhas travadas, cravadas, entalhadas em tabuleiro de ouro
Issus em Pompéia, um cavalo de Tróia,
Serei um dia resgatado, lavado, considerado tesouro.
domingo, 30 de junho de 2019
Poema do Príncipe
Guardei um poema para tal encontro
Pensado antes, mas feito no ponto
Distância longínqua, coração no antro
Quem atravessa milhas é teu encanto
E eu canto.
Guardei um dizer que não há em palavra
Plantado antes, frutificou em fava
Semente da esperança, meu peito lavra
O silêncio triste a garganta ceifava
Hoje, felicidade ladra.
Pensado antes, mas feito no ponto
Distância longínqua, coração no antro
Quem atravessa milhas é teu encanto
E eu canto.
Guardei um dizer que não há em palavra
Plantado antes, frutificou em fava
Semente da esperança, meu peito lavra
O silêncio triste a garganta ceifava
Hoje, felicidade ladra.
terça-feira, 26 de março de 2019
Esperarei o espaço mínimo
Entre as bençãos, o dízimo
Pois de tudo que importa
Estive ali à sua porta
Aguardo o bom dia, o gesto
Sei de tudo a que me presto
O papel que é meu, amante
Aceitei-me outrora coadjuvante
Mas já não apetece o esmo
sou ante teu medo, o vértice
Sempre eu, jamais o mesmo
Não sou o vinho, mas o cálice
Fato sútil, meu câmbio lesmo,
Não me queres? Finda e cale-se.
Entre as bençãos, o dízimo
Pois de tudo que importa
Estive ali à sua porta
Aguardo o bom dia, o gesto
Sei de tudo a que me presto
O papel que é meu, amante
Aceitei-me outrora coadjuvante
Mas já não apetece o esmo
sou ante teu medo, o vértice
Sempre eu, jamais o mesmo
Não sou o vinho, mas o cálice
Fato sútil, meu câmbio lesmo,
Não me queres? Finda e cale-se.
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