domingo, 7 de outubro de 2012
Eu queria, sem despertá-la, ajeitar-lhe a cabeça entre minhas pernas. Tirar-lhe da fronte os cabelos úmidos de suor, soprar ar fresco. Queria pressionar o tórax ao abdome, alcançar-lhe um beijo na testa, desanuviá-la das preocupações e dos receios do amanhã. Antes de partir, percorrer o perímetro corporal com a ponta dos dedos, invadir seus sonhos e desenhar relevante paisagem inspirado suas curvas. Como se deixasse uma assinatura imperceptível na vivência dela, como se criasse tudo que lhe parecesse verdadeiro.
Certa camponesa
Eu gosto da pessoa certa. Que esteja certa, que queira. Eu gosto dos jantares durante a semana, da garrafa de vinho aberta e aquele filme francês que embala o beijo comedido, permeado de carinho. Aquele perfume Chanel, um comentário sobre o dia de trabalho. Gosto que me fale de literatura, na justa medida para que meus versos de amor para ela não sejam ofuscados pelos versos de Neruda ou pelas letras de Marcelo Camelo. Eu gosto que me goste e me deixe gostar.
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