domingo, 7 de outubro de 2012
Eu queria, sem despertá-la, ajeitar-lhe a cabeça entre minhas pernas. Tirar-lhe da fronte os cabelos úmidos de suor, soprar ar fresco. Queria pressionar o tórax ao abdome, alcançar-lhe um beijo na testa, desanuviá-la das preocupações e dos receios do amanhã. Antes de partir, percorrer o perímetro corporal com a ponta dos dedos, invadir seus sonhos e desenhar relevante paisagem inspirado suas curvas. Como se deixasse uma assinatura imperceptível na vivência dela, como se criasse tudo que lhe parecesse verdadeiro.
Certa camponesa
Eu gosto da pessoa certa. Que esteja certa, que queira. Eu gosto dos jantares durante a semana, da garrafa de vinho aberta e aquele filme francês que embala o beijo comedido, permeado de carinho. Aquele perfume Chanel, um comentário sobre o dia de trabalho. Gosto que me fale de literatura, na justa medida para que meus versos de amor para ela não sejam ofuscados pelos versos de Neruda ou pelas letras de Marcelo Camelo. Eu gosto que me goste e me deixe gostar.
domingo, 30 de setembro de 2012
Fidelis
Insegurança para saber quem somos,
incerteza de saber quem temos
Se estás comigo,
rogo para que em outro também não estejas.
No teu abraço, não te encontro.
No teu beijo, toco a dúvida.
No teu orgasmo, outro homem.
Quero te matar...findo-me porque te amo.
Encontro-me no piso frio, na alma crua
Venha me buscar, por favor
Mas não para me jogar no teu seio quente.
Perdendo teu amor, por menor que seja,
Ganhando tua mentira, tudo que nos resta.
Ao teu lado e nem muito perto.
Ganhando tua mentira, tudo que nos resta.
Ao teu lado e nem muito perto.
Em frente ao mar
Meus pés tocam a areia. Eles tocam a infinidade de possibilidades que me foram tomadas a poucos dias. Sonhos são como ondas. Dediquei meses para construí-los, imaginei detalhes e texturas. Tudo cresceu como uma onda que se dirige ao continente. Morreu frágil sobre a praia que toca os meus pés.
O sol lá encima me ensina a desejar novas aventuras. Construir novos contos esperando que se tornem realidade. Um dia eles serão tão sólidos como a rocha, que da praia posso observar. Caso contrário, a rocha será meu coração.
Estou realmente cansado. Só quero que os sonhos venham molhar meus pés. E mesmo que virem areia, saiba que um dia eles existiram. Estou calmo, calmo como o mar sem ondas. Ainda há o sol sobre minha cabeça.
O sol lá encima me ensina a desejar novas aventuras. Construir novos contos esperando que se tornem realidade. Um dia eles serão tão sólidos como a rocha, que da praia posso observar. Caso contrário, a rocha será meu coração.
Estou realmente cansado. Só quero que os sonhos venham molhar meus pés. E mesmo que virem areia, saiba que um dia eles existiram. Estou calmo, calmo como o mar sem ondas. Ainda há o sol sobre minha cabeça.
Augusto dos dias meus.
Cadáver putrefeito,
que fazes dançando nesse banco de areia?
Por que te espraias ao sol,
conquanto tua pele não faz subir à epiderme a melanina de outrora?
Por que exibir esse olor
de vísceras diluídas e salgadas se hoje é dia de sol?
Hoje é dia de pequenas conchas na praia,
de moças felizes na areia terna do vigésimo primeiro de fevereiro.
Retorna tua morbidez às correntes profundas,
ao mais abissal oceano,
pois corrente nenhuma quer passar pelas tuas veias!
Mulher nenhuma quer a tua lembrança num dia de sol.
O escuro das águas encerra teu corpo...
Já não podes apetecer sequer as oportunistas gaivotas!
*Numa repente lembrança de Augusto dos Anjos!
Dilacerar-te
Se fosse você, fugiria. Hoje tenho vontade de beijar tua boca só para morder teus lábios. Te mataria, mudaria a cor do teu cabelo, te arrancaria as unhas. Te arranharia. Poderia mesmo fazer amor com você, sem você perceber. Contaria aos teus amigos tuas piadas sem graça, tua falta de inteligência, teus casos antigos. Egoísta, você permanece em mim. E, tentando te torturar é que me maltrato.
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