terça-feira, 13 de novembro de 2018

Caminho entre as pedras cujas pontas permeiam os dedos.
As pedras que me lançaram, hoje piso já sem medos
Pois que meu caminhar já viu mais pontas e mais flagelos
E mesmo os dentes,
Mastigam aço e libelos.

Mãos ásperas lançam sal ao terreno fecundo
Meu hálito é podre, o espírito imundo
Pés que não aram mas mitigam a semente
A boca nada diz e, todavia, sempre mente

Sou abominável mas mantenho a razão
De quem viu por todos, geração a geração.
A rima empobreceu ao tomar a decisão
Nada merecerá o homem que perdeu o coração
Arranha a cana destilada em refratário
Açanha a gana desse eu revolucionário
Há ranho e emana o olor do meu fadário
Apanho e sangro na lã do meu sudário
E não me acanha a lança nem calvário!

Filho da dor
Pilho o senhor
Humilho o opressor
Sou gay, sou preto, sou labor.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Tenho um refúgio chamado poesia.
Me defendem as palavras e os sentimentos que despertam.
Crio mundos, invento o tempo de acordo com minha pressa.
Desenho nossos abraços, verto lágrimas em verbos.
É infinita a força criativa por não cessarem os beijos.
Infinitos os afagos, eternos recomeços.
Se caminhas te faço sombra,
e quando foges de mim em teu destino...
É dar-te nova estrofe e outra chance de me encontrar.
E se sentas para contemplar...te obrigo a pensar em mim.
Como o cárcere da vida não soube fazer.
E o sal em minha face se transforma em diamante nos dedos teus.
E um sorriso estampado é doce ilusão dos olhos meus.