Só quero falar...
Que hoje eu não tô legal.
Passar tudo pro papel me faz bem, fato.
Mas, eu não quero.
Só quero esquecer os pontos,
os substantivos,
os adjetivos,
a correta flexão verbal.
Nenhum traço seguido de outro, nada,
nenhum simbolo de futuro palatal...
nada disso melhora minha dor.
Aliás, é tão mais difícil dizê-la em três singelas letras.
Por quê a grafia é assim, tímida?
Por quê você me faz sofrer tanto?
Simples análise sintática da minha dedicação:
a cada dia, fielmente (mais correto advérbio)...
escrevo todos os verbos,
todas as frases,
todos os artigos definidos de nós dois.
E você não vê.
Você não lê.
Incapaz de notar, de anotar,
que minha tinta é meu amor.
Não o teu desprezo. Nunca o teu negar.
Por quê você não aparece na fria calada da noite
e me traz uma terna fonética de amor?
Eu não quero a companhia da Gramática...
Nem da poesia,
que tem nome de ninfa,
não a quero.
Só quero você aqui. Só você.
Repetindo pronomes... possessivos.
Tornando inútil todo o léxico.
E, no fim da noite, dizer:
eu te amo
reto, oblíquo e verbo conjugado.
terça-feira, 11 de maio de 2010
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