terça-feira, 11 de maio de 2010

Adjuntos, por favor.

Só quero falar...
Que hoje eu não tô legal.
Passar tudo pro papel me faz bem, fato.
Mas, eu não quero.
Só quero esquecer os pontos,
os substantivos,
os adjetivos,
a correta flexão verbal.
Nenhum traço seguido de outro, nada,
nenhum simbolo de futuro palatal...
nada disso melhora minha dor.
Aliás, é tão mais difícil dizê-la em três singelas letras.
Por quê a grafia é assim, tímida?
Por quê você me faz sofrer tanto?
Simples análise sintática da minha dedicação:
a cada dia, fielmente (mais correto advérbio)...
escrevo todos os verbos,
todas as frases,
todos os artigos definidos de nós dois.
E você não vê.
Você não lê.
Incapaz de notar, de anotar,
que minha tinta é meu amor.
Não o teu desprezo. Nunca o teu negar.
Por quê você não aparece na fria calada da noite
e me traz uma terna fonética de amor?
Eu não quero a companhia da Gramática...
Nem da poesia,
que tem nome de ninfa,
não a quero.
Só quero você aqui. Só você.
Repetindo pronomes... possessivos.
Tornando inútil todo o léxico.
E, no fim da noite, dizer:
eu te amo
reto, oblíquo e verbo conjugado.