Aquele que tanto me tirou
Não tomou para si a alegria de viver
Pois ele me viu sucumbir por amor
E me levantar pelo amor d'outros
E me viu me entregar
Sem gozar do mesmo
E me viu partir, cheio das ânsias de voltar
Para partir, derradeiro, desejoso de mim mesmo
E tanto adicionei, preposto e aditivo
Que mesmo em tom de suplício
Dava-me a mim mesmo por querer lhe ser o todo
Mas não me fiz de tolo, fui tudo e mui antes
Meu melhor, primeiro e último amante
De tudo que senti, com sinceridade pueril
E nunca vivi o engano
Fui rei e paisano, coroado no anonimato de viver só
Aquele que nunca se entregou ao pó
Ciente de transcender pelo amor
Cativo de amar e tornar a amar mais que a vida
Fiz da minha despedida um poema sem rima
Sem adeus e cheio de si.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
domingo, 7 de julho de 2019
Pedrinho era criador de galinhas. Certa feita, após uma caça bem executada e um plano de vôo desastroso, uma rapina deixou cair dentro do galinheiro a sua próxima refeição: um belo filhote de cisne.
E o cisnezinho passou a viver entre os demais. Afeiçoou-se a Pedrinho de tal maneira que sempre andavam juntos nas esporádicas visitas ao quintal das aves. Pedrinho também tinha um carinho especial por aquela ave companheira, porém duvidando de que ali pudesse nascer algo que não fosse galinha, nunca percebeu a ave como mais bela, de maior envergadura, de maior valor.
Próximo ao Natal, vieram-lhe visitar a granja. Pedrinho, que tantas aves tinha em seu quintal, falou ao comprador:
- Escolha qualquer ave e tome para si. Sei bem da qualidade das minhas galinhas.
- E todas tem o mesmo valor? - disse o cliente, um famoso criador de caprinos, vindo de muitas léguas.
- É escolher uma e pagar-me a justa quantia de dois mil réis.
Como criador de cabras e bodes, pouco sabia de galinhas. Deixou-se tomar pela intuição e logo pôs os olhos no jovem cisne, visivelmente diferente dos demais. Ainda que não o soubesse uma ave ornamental, companheira e de grande valor, seus olhos e coração estavam abertos às diferenças que o tornavam especial.
- Levarei o exemplar pescoçudo que percorre teus passos ao caminhar.
A escolha acertara o ego de Pedrinho como um tiro de carabina. Era a "galinha" que mais gostava, afinal. Porém, orgulhoso, não se opôs à própria palavra lançada e deixou que aquele cliente seguisse o ponteiro vermelho da bússola, rumo a suas terras, com o cisne no balaio.
Era tanto sofrimento também no coração da ave que seu habitual gorjear transformou-se no que chamamos canto do cisne. Embora fosse aquele um canto de morte, eregiu seu pescoço alongado, passando a cabeça por entre o vime e, assim como quando escapou das garras do pedrador, muito antes, desvencilhou-se da tristeza mortal e contemplou o caminho a frente.
Pedrinho ouviu de longe a melodia e percebeu sua estupidez, na justa medida que o novo proprietário regozijava-se pela sábia escolha. Chegando ao destino, deu célebre tratamento ao cisne. Fez-lhe senhor de uma ampla lagoa e juntos passavam as tardes entre quirelas e pescaria. Jurou para si que não trocaria o cisne branco, por quem nutria imensurável admiração, nem pela galinha dos ovos de ouro.
E o cisnezinho passou a viver entre os demais. Afeiçoou-se a Pedrinho de tal maneira que sempre andavam juntos nas esporádicas visitas ao quintal das aves. Pedrinho também tinha um carinho especial por aquela ave companheira, porém duvidando de que ali pudesse nascer algo que não fosse galinha, nunca percebeu a ave como mais bela, de maior envergadura, de maior valor.
Próximo ao Natal, vieram-lhe visitar a granja. Pedrinho, que tantas aves tinha em seu quintal, falou ao comprador:
- Escolha qualquer ave e tome para si. Sei bem da qualidade das minhas galinhas.
- E todas tem o mesmo valor? - disse o cliente, um famoso criador de caprinos, vindo de muitas léguas.
- É escolher uma e pagar-me a justa quantia de dois mil réis.
Como criador de cabras e bodes, pouco sabia de galinhas. Deixou-se tomar pela intuição e logo pôs os olhos no jovem cisne, visivelmente diferente dos demais. Ainda que não o soubesse uma ave ornamental, companheira e de grande valor, seus olhos e coração estavam abertos às diferenças que o tornavam especial.
- Levarei o exemplar pescoçudo que percorre teus passos ao caminhar.
A escolha acertara o ego de Pedrinho como um tiro de carabina. Era a "galinha" que mais gostava, afinal. Porém, orgulhoso, não se opôs à própria palavra lançada e deixou que aquele cliente seguisse o ponteiro vermelho da bússola, rumo a suas terras, com o cisne no balaio.
Era tanto sofrimento também no coração da ave que seu habitual gorjear transformou-se no que chamamos canto do cisne. Embora fosse aquele um canto de morte, eregiu seu pescoço alongado, passando a cabeça por entre o vime e, assim como quando escapou das garras do pedrador, muito antes, desvencilhou-se da tristeza mortal e contemplou o caminho a frente.
Pedrinho ouviu de longe a melodia e percebeu sua estupidez, na justa medida que o novo proprietário regozijava-se pela sábia escolha. Chegando ao destino, deu célebre tratamento ao cisne. Fez-lhe senhor de uma ampla lagoa e juntos passavam as tardes entre quirelas e pescaria. Jurou para si que não trocaria o cisne branco, por quem nutria imensurável admiração, nem pela galinha dos ovos de ouro.
sábado, 6 de julho de 2019
terça-feira, 2 de julho de 2019
QUEM SOU ENTRE VÓS
O olho que me conhece
Nem sempre apenas vê
Prefiro morrer Bukowski
Em meio à paisagem de Monet.
3 de julho de 2018
Nem sempre apenas vê
Prefiro morrer Bukowski
Em meio à paisagem de Monet.
3 de julho de 2018
Arte/fato
A vida é um fragmento escarlate
Pedaço de vidro descartado, trincado, pintado de sangue
Fortuna e fadário que nos arremessa e bate
Me fiz mosaico, prosaico e arcaico, enterrado no mangue.
O que fez dessa peça téssera uma jóia?
Batalhas travadas, cravadas, entalhadas em tabuleiro de ouro
Issus em Pompéia, um cavalo de Tróia,
Serei um dia resgatado, lavado, considerado tesouro.
Pedaço de vidro descartado, trincado, pintado de sangue
Fortuna e fadário que nos arremessa e bate
Me fiz mosaico, prosaico e arcaico, enterrado no mangue.
O que fez dessa peça téssera uma jóia?
Batalhas travadas, cravadas, entalhadas em tabuleiro de ouro
Issus em Pompéia, um cavalo de Tróia,
Serei um dia resgatado, lavado, considerado tesouro.
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