sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Lamentos

Ai, que me parece menos pesar o nada sentir,
E que a morte encontra depois quem tanto quer ir.
Não descanso do dever de convidar o por vir!

Aí, que me dói o peito da amiga despedir,
O coração bate frouxo, ou dá um aperto que faz zunir

Não amansa a pontada, quero de pronto cair.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

26



Tenho consciência que morro há mais de um quarto de século
Porque o destino da matéria sempre foi voltar a ser tubérculo
O vaso pronto, sobre a mesa, inicia sua jornada de artefato lançado
Que com tempo incerto encontrar-se-á em cacos estilhaçado
O barro é vaso
O caco é barro
O vaso é mosaico
Eis o sentido da vida sobre a qual eu escarro
Viver é, sobretudo, um acontecimento prosaico.

Volta da parapanã

Mariposa-albina

Mariposa montada em Pégasus, tão delicada e alva,
Não receberá convite para entrar em minha casa,
Traz consigo borboletas e minha quietude não se salva,
Por tanto lhe querer bem, Mariposa, voa, usa sua asa.

Mariposa que veio no inverno, por que chegou tardia?
Passou minha primavera, comi o fruto que da árvore pendia.
E mesmo no verão, poderia ver o sol que em mim ardia.
E hoje, minha casa, mesmo cheia, sem você é vazia.

Desta casa eu quero derrubar paredes e quebrar o muro.
Desde ti, cada dia, qualquer segundo, tudo calculo.
Levou meu mel, Mariposa, na minh’alma deixou um furo.

Tudo que mais quero é, já liberto, habitar em teu casulo.

Mariposa errante
Galante
Valente
Passou de repente
Voante
No prumo do olho da gente

Mariposa brilhante
Levante
Em frente
Pousou de repente
Hesitante
Dentro do pensamento da gente

Mariposa provocante
Excitante
Diferente
Ficou de repente
Empolgante

Viver esse amor entre a gente.