terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Penso, logo...

Eu nunca dediquei minhas horas vazias para escrever sobre o que pode, ou não, ser verdade. Assim ocorreu, para ser sincero, porque sempre busquei ser sincero e acreditei ser verdade tudo o que acontecia ao meu redor. Ao descobrir a falsidade do que me cerca, descobri que sou, acompanhado dos demais seres humanos, grande arquiteto do irreal e até mesmo da intensionada mentira, para ser menos eufêmico.
Então me perguntei o que era a verdade, acreditando piamente que não a sabia. Pensei em Caeiro e na natureza das coisas, pensei em Platão e nos universos reais e ideais. Pensei tanto que adormeci e me encontrei sozinho num sonho... dessa ilusão eufórica, descobri minha própria verdade:
Sonhava que era criança, pois verdadeiramente me encontrei menino antes de o tempo me tomar os dias. Nesse sonho, era eu apenas infante, sem pai nem mãe, pois nunca pude ser filho, sobrinho ou neto...era apenas sozinho.
Sonhava que era amante, mas não sonhava que era amado. Tudo porque não existia esposa, não existia mulher, nenhumas viv'alma me dissesse bom-dia ao despertar do sol. Não existia o dia, não existia o sol. Era tudo uma questão de dormir, acordar e sentir.
Se o tempo não existia por não poder acompanhar calendário, também desconfiei da morte. Quando me dei conta, percebi que existia o medo de morrer. Quando perdi pessoas que talvez pudessem ser reais, tive certeza que a morte é tão sólida e certa quando a dor.
Então vou morrer comigo mesmo, pois nada existe além do que posso materializar segundo meu própio inconsciente abstrato.

Se você não entendeu o que pensei, não se preocupe. Nada disso é a sua verdade.