quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Poema por nada ter

Eu não tenho palavras,
muito menos o que dizer.
No coração falta um amor
e, durante o dia, o que fazer.

Só me sobra tempo,
que eu estava vendendo.
Mas, meu tempo vou doar,
pra nem o dinheiro sobrar.

Dar pra quem?
Eu não tenho amigos!
Vou passar pro papel e dar pra poesia...
Assim, fico de vez com a cabeça vazia.

Mas...
Eu não tenho papel!

Conto (do canto) dos ratos.

Eram dois ilustres roedores, como se abservava pela espessura dos bigodes. Naquele tempo, que não deixa de ser assemelhar-se a esse, bigodes assim só os tinham acadêmicos e servidores públicos. Pela marcha de quem não cumpre horário, eram claramente - ou nem tanto - membros do primeiro e mais seleto grupo:
- Não se aproveitam as tardes de sol como nos tempos da Peste, doutor Sócrates.
- São esses desprezíveis dejetos humanos a emporcalhar as ruas, caro Aristóteles. E, acredite: mais alguns séculos e também os porcos viveram em tão lastimável situação.
- Seres humanos... Até hoje não entendo por que dedicastes tanto tempo, tantas e tantas fatias de parmesão com os amigos abdicastes, só para estudar a mediocre psicologia desta subespécie!
- Caríssimo, muito me arrependo; fato. Depois de nos servirem por tanto tempo como cobaias na seara das ciências biológicas, enganei-me acreditando que poderia aliar o estudo do seu patético sistema nervoso às análises de maior profundidade psicológica. Tudo isso porque muito me intrigava o fato de suas crias serem tão ou mais desenvolvidas que os indivíduos adultos.
- Seres confusos, talvez apenas sejam uma anedota mal feita pela Natureza. Veja, por exemplo: choram inutilmente quando filhotes e, ao crescer, quando mais necessitam das lágrimas para o bom funcionamento do aparelho cardíaco, cessam o pranto! Mas diga-me, a que resultados chegastes?
- Aquilo que nós todos já sabiamos... são mais tapados que chimpanzes, mas possuem um admirável sistema excretor!

Para os mais jovens

não ame.
D ói.
D erruba.
D estrói.
e gasta um absurdo em telefone.