Eu nunca dediquei minhas horas vazias para escrever sobre o que pode, ou não, ser verdade. Assim ocorreu, para ser sincero, porque sempre busquei ser sincero e acreditei ser verdade tudo o que acontecia ao meu redor. Ao descobrir a falsidade do que me cerca, descobri que sou, acompanhado dos demais seres humanos, grande arquiteto do irreal e até mesmo da intensionada mentira, para ser menos eufêmico.
Então me perguntei o que era a verdade, acreditando piamente que não a sabia. Pensei em Caeiro e na natureza das coisas, pensei em Platão e nos universos reais e ideais. Pensei tanto que adormeci e me encontrei sozinho num sonho... dessa ilusão eufórica, descobri minha própria verdade:
Sonhava que era criança, pois verdadeiramente me encontrei menino antes de o tempo me tomar os dias. Nesse sonho, era eu apenas infante, sem pai nem mãe, pois nunca pude ser filho, sobrinho ou neto...era apenas sozinho.
Sonhava que era amante, mas não sonhava que era amado. Tudo porque não existia esposa, não existia mulher, nenhumas viv'alma me dissesse bom-dia ao despertar do sol. Não existia o dia, não existia o sol. Era tudo uma questão de dormir, acordar e sentir.
Se o tempo não existia por não poder acompanhar calendário, também desconfiei da morte. Quando me dei conta, percebi que existia o medo de morrer. Quando perdi pessoas que talvez pudessem ser reais, tive certeza que a morte é tão sólida e certa quando a dor.
Então vou morrer comigo mesmo, pois nada existe além do que posso materializar segundo meu própio inconsciente abstrato.
Se você não entendeu o que pensei, não se preocupe. Nada disso é a sua verdade.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Elogio à Solidão
Hoje os louros são teus,
Senhoura dos infelizes!
Porque és a direita de Deus,
Ao início do tempo,
E a esquerda e todos os lados.
Se antes dos dias,
É Deus solitário...
És, antes de tudo,
A Deusa Solidão!
Não há companhia melhor:
A ausência dos outros
E a presença de ti.
Mas que medo tenho eu
De ser amado e...
Só.
Senhoura dos infelizes!
Porque és a direita de Deus,
Ao início do tempo,
E a esquerda e todos os lados.
Se antes dos dias,
É Deus solitário...
És, antes de tudo,
A Deusa Solidão!
Não há companhia melhor:
A ausência dos outros
E a presença de ti.
Mas que medo tenho eu
De ser amado e...
Só.
Bola de Gude
Por quê, bola de gude?
Por que corres tão longe,
Pela calha tão lépida,
Para chocar-se e trincar?
Por quê não bola de grude?
Porque podes correr e beijar o chão
Pelo magnetismo da tua alma gêmea
Para encontrar teu novo caso de amor!
Por que corres tão longe,
Pela calha tão lépida,
Para chocar-se e trincar?
Por quê não bola de grude?
Porque podes correr e beijar o chão
Pelo magnetismo da tua alma gêmea
Para encontrar teu novo caso de amor!
Pra Sempre (Forever)
Criado em 2 de março de 2009
Pra Sempre (Forever)
Te levo em todos meus momentos
Te guardo no peito, apertado e profundo
Que nem a maior força do mundo
Levar-te-á dos meus pensamentos
We'll be forever in a garden
Aguarda o sol da primavera
Te prometo que volto, sempre com boas-novas
Cantadas na forma de trovas
Num acalanto de melodia sincera
We'll be forever in a garden
E me coloco no céu, na face da lua
Ergue teus olhos no alto, me procura lá em cima
De certo me encontras na rima
Só você é real, todo resto flutua.
We'll be forever in time
Pra Sempre (Forever)
Te levo em todos meus momentos
Te guardo no peito, apertado e profundo
Que nem a maior força do mundo
Levar-te-á dos meus pensamentos
We'll be forever in a garden
Aguarda o sol da primavera
Te prometo que volto, sempre com boas-novas
Cantadas na forma de trovas
Num acalanto de melodia sincera
We'll be forever in a garden
E me coloco no céu, na face da lua
Ergue teus olhos no alto, me procura lá em cima
De certo me encontras na rima
Só você é real, todo resto flutua.
We'll be forever in time
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Poema por nada ter
Eu não tenho palavras,
muito menos o que dizer.
No coração falta um amor
e, durante o dia, o que fazer.
Só me sobra tempo,
que eu estava vendendo.
Mas, meu tempo vou doar,
pra nem o dinheiro sobrar.
Dar pra quem?
Eu não tenho amigos!
Vou passar pro papel e dar pra poesia...
Assim, fico de vez com a cabeça vazia.
Mas...
Eu não tenho papel!
muito menos o que dizer.
No coração falta um amor
e, durante o dia, o que fazer.
Só me sobra tempo,
que eu estava vendendo.
Mas, meu tempo vou doar,
pra nem o dinheiro sobrar.
Dar pra quem?
Eu não tenho amigos!
Vou passar pro papel e dar pra poesia...
Assim, fico de vez com a cabeça vazia.
Mas...
Eu não tenho papel!
Conto (do canto) dos ratos.
Eram dois ilustres roedores, como se abservava pela espessura dos bigodes. Naquele tempo, que não deixa de ser assemelhar-se a esse, bigodes assim só os tinham acadêmicos e servidores públicos. Pela marcha de quem não cumpre horário, eram claramente - ou nem tanto - membros do primeiro e mais seleto grupo:
- Não se aproveitam as tardes de sol como nos tempos da Peste, doutor Sócrates.
- São esses desprezíveis dejetos humanos a emporcalhar as ruas, caro Aristóteles. E, acredite: mais alguns séculos e também os porcos viveram em tão lastimável situação.
- Seres humanos... Até hoje não entendo por que dedicastes tanto tempo, tantas e tantas fatias de parmesão com os amigos abdicastes, só para estudar a mediocre psicologia desta subespécie!
- Caríssimo, muito me arrependo; fato. Depois de nos servirem por tanto tempo como cobaias na seara das ciências biológicas, enganei-me acreditando que poderia aliar o estudo do seu patético sistema nervoso às análises de maior profundidade psicológica. Tudo isso porque muito me intrigava o fato de suas crias serem tão ou mais desenvolvidas que os indivíduos adultos.
- Seres confusos, talvez apenas sejam uma anedota mal feita pela Natureza. Veja, por exemplo: choram inutilmente quando filhotes e, ao crescer, quando mais necessitam das lágrimas para o bom funcionamento do aparelho cardíaco, cessam o pranto! Mas diga-me, a que resultados chegastes?
- Aquilo que nós todos já sabiamos... são mais tapados que chimpanzes, mas possuem um admirável sistema excretor!
- Não se aproveitam as tardes de sol como nos tempos da Peste, doutor Sócrates.
- São esses desprezíveis dejetos humanos a emporcalhar as ruas, caro Aristóteles. E, acredite: mais alguns séculos e também os porcos viveram em tão lastimável situação.
- Seres humanos... Até hoje não entendo por que dedicastes tanto tempo, tantas e tantas fatias de parmesão com os amigos abdicastes, só para estudar a mediocre psicologia desta subespécie!
- Caríssimo, muito me arrependo; fato. Depois de nos servirem por tanto tempo como cobaias na seara das ciências biológicas, enganei-me acreditando que poderia aliar o estudo do seu patético sistema nervoso às análises de maior profundidade psicológica. Tudo isso porque muito me intrigava o fato de suas crias serem tão ou mais desenvolvidas que os indivíduos adultos.
- Seres confusos, talvez apenas sejam uma anedota mal feita pela Natureza. Veja, por exemplo: choram inutilmente quando filhotes e, ao crescer, quando mais necessitam das lágrimas para o bom funcionamento do aparelho cardíaco, cessam o pranto! Mas diga-me, a que resultados chegastes?
- Aquilo que nós todos já sabiamos... são mais tapados que chimpanzes, mas possuem um admirável sistema excretor!
sábado, 17 de julho de 2010
Elogia a (a) Olívia
Você me ensinou a ser louco, sabia?
Se não fosse tua testa lisa,
juraria que ensinara também o Erasmo.
Eu posso jurar,
Olívia da Lívida Testa,
que ainda deixarás in-sã
toda a cidade de Rotterdam.
Sei também que tirarás a razão
dessa tão burocrática e mal-amada literatura
com as palavras loucas,
loucas e belas,
loucas e novas,
loucas e tuas,
que saem dessa testa.
Eu não sei que milagre tem a tua fronte
que zombou do tempo ao alisar as rugas.
Que dádiva tem a tua loucura, me diz?
Essa insanidade repleta de certeza...
Não é preciso ser certo pra ser feliz.
Ensina o mundo obeso,
de bigode e paletó,
que é pra girar feito bailarina,
feito pião, feito liquidificador, feito pomba-gira.
Feito qualquer porcaria
que não sabe porque se revira.
Esse teu dom tanto me impressiona...
eu mesmo já estou confuso.
Exalto tua testa ou tua poesia?
Exalto tua incerteza e,
principalmente,
tua lição:
deixai o sentido se tens a letra na mão.
Ah, e por que escrevi trinta e dois versos?
Eu não sei. Eu não tenho explicação.
Se não fosse tua testa lisa,
juraria que ensinara também o Erasmo.
Eu posso jurar,
Olívia da Lívida Testa,
que ainda deixarás in-sã
toda a cidade de Rotterdam.
Sei também que tirarás a razão
dessa tão burocrática e mal-amada literatura
com as palavras loucas,
loucas e belas,
loucas e novas,
loucas e tuas,
que saem dessa testa.
Eu não sei que milagre tem a tua fronte
que zombou do tempo ao alisar as rugas.
Que dádiva tem a tua loucura, me diz?
Essa insanidade repleta de certeza...
Não é preciso ser certo pra ser feliz.
Ensina o mundo obeso,
de bigode e paletó,
que é pra girar feito bailarina,
feito pião, feito liquidificador, feito pomba-gira.
Feito qualquer porcaria
que não sabe porque se revira.
Esse teu dom tanto me impressiona...
eu mesmo já estou confuso.
Exalto tua testa ou tua poesia?
Exalto tua incerteza e,
principalmente,
tua lição:
deixai o sentido se tens a letra na mão.
Ah, e por que escrevi trinta e dois versos?
Eu não sei. Eu não tenho explicação.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Me deixa ser poeta!
Puta que pariu, Maria!
Por quê você me chama de vagabundo?
Por quê me bate com a vassoura?
-Vai ser um baita poeta-
já me dizia a fessoura.
Tu é cega, mulher de Deus?
Não dá pra ver a beleza dos meus versos?
olha como a palavra é minha amante
-Fica braba não, mulher-
é jeito que fala esse escritor brilhante.
Tu é tão burra, Maria!
Não quer ser a minha musa?
Eu podia falar dos teus peitos, tua bunda
- que são só um pouco ruins -
como se falasse com vontade profunda!
Tu é chata, isso sim.
Não me deixa fazer poesia,
me manda sair e descolar um trocado
- pra você não mais escrevo-
Pega a última rima e enfia no rabo.
Por quê você me chama de vagabundo?
Por quê me bate com a vassoura?
-Vai ser um baita poeta-
já me dizia a fessoura.
Tu é cega, mulher de Deus?
Não dá pra ver a beleza dos meus versos?
olha como a palavra é minha amante
-Fica braba não, mulher-
é jeito que fala esse escritor brilhante.
Tu é tão burra, Maria!
Não quer ser a minha musa?
Eu podia falar dos teus peitos, tua bunda
- que são só um pouco ruins -
como se falasse com vontade profunda!
Tu é chata, isso sim.
Não me deixa fazer poesia,
me manda sair e descolar um trocado
- pra você não mais escrevo-
Pega a última rima e enfia no rabo.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Adjuntos, por favor.
Só quero falar...
Que hoje eu não tô legal.
Passar tudo pro papel me faz bem, fato.
Mas, eu não quero.
Só quero esquecer os pontos,
os substantivos,
os adjetivos,
a correta flexão verbal.
Nenhum traço seguido de outro, nada,
nenhum simbolo de futuro palatal...
nada disso melhora minha dor.
Aliás, é tão mais difícil dizê-la em três singelas letras.
Por quê a grafia é assim, tímida?
Por quê você me faz sofrer tanto?
Simples análise sintática da minha dedicação:
a cada dia, fielmente (mais correto advérbio)...
escrevo todos os verbos,
todas as frases,
todos os artigos definidos de nós dois.
E você não vê.
Você não lê.
Incapaz de notar, de anotar,
que minha tinta é meu amor.
Não o teu desprezo. Nunca o teu negar.
Por quê você não aparece na fria calada da noite
e me traz uma terna fonética de amor?
Eu não quero a companhia da Gramática...
Nem da poesia,
que tem nome de ninfa,
não a quero.
Só quero você aqui. Só você.
Repetindo pronomes... possessivos.
Tornando inútil todo o léxico.
E, no fim da noite, dizer:
eu te amo
reto, oblíquo e verbo conjugado.
Que hoje eu não tô legal.
Passar tudo pro papel me faz bem, fato.
Mas, eu não quero.
Só quero esquecer os pontos,
os substantivos,
os adjetivos,
a correta flexão verbal.
Nenhum traço seguido de outro, nada,
nenhum simbolo de futuro palatal...
nada disso melhora minha dor.
Aliás, é tão mais difícil dizê-la em três singelas letras.
Por quê a grafia é assim, tímida?
Por quê você me faz sofrer tanto?
Simples análise sintática da minha dedicação:
a cada dia, fielmente (mais correto advérbio)...
escrevo todos os verbos,
todas as frases,
todos os artigos definidos de nós dois.
E você não vê.
Você não lê.
Incapaz de notar, de anotar,
que minha tinta é meu amor.
Não o teu desprezo. Nunca o teu negar.
Por quê você não aparece na fria calada da noite
e me traz uma terna fonética de amor?
Eu não quero a companhia da Gramática...
Nem da poesia,
que tem nome de ninfa,
não a quero.
Só quero você aqui. Só você.
Repetindo pronomes... possessivos.
Tornando inútil todo o léxico.
E, no fim da noite, dizer:
eu te amo
reto, oblíquo e verbo conjugado.
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