Amor convencional
Somos dois compostos opostos
Como colunas dos ares polares
Que pesadas alçam aos trópicos
Ao cair, corrosivos e fórmicos
São chuvas de lágrimas ácidas
Em pé estamos astros e ossos
Do firmamento, pilares em pares
Atlas e nossos feitos heróicos
Sustentamos com feitios estóicos
Os argumentos dessas falácias
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Final de ano e todos se tornam mais solidários. É chegado o tempo de vestirmos as máscaras, como na festa carnavalesca, da benevolência e da caridade. Me pergunto, então, o que é a caridade?
Cáritas é uma virtude de fundamento teológico, ou seja, só pode ser caridoso, em tese, aqueles que acreditam numa verdade mística das coisas. É derivativa, porém não restritiva, da cultura judaico-cristã. Goza da caridade aquele que cede e traça vínculo afetivo com seu semelhante para, dessa forma, se aproximar de Deus.
Não há escadas que conduzem aos céus. Eis o que o Deus dos Judeus, que também é o Deus dos velhos e dos novos Cristãos, e que também é o Deus dos Muçulmanos, deixa claro para os filhos de Noé. A Torre de Babel é lançado ao chão, como o homem mais altivo volta ao pó inevitável.
O próprio Filho de Deus reafirma quando da Nova Aliança: não se chega ao Pai, se não através do Filho. Este Filho que ensina: amai-vos uns ao outros, como Eu vos amei.
Surge na caridade um caminho para Deus, é verdade. Pois aquele que ama o próximo como o Filho de Deus, e por ele tem afeto e o trata como igual, então chegará ao Pai. Então devo dizer que somos benevolentes, mas poucos são os caridosos.
Aqueles que estende a mão ao amigo que se encontra no fundo do poço, ou joga-lhe uma corda, pratica ajuda de grande valia e benevolência, mas não age para a caridade. O irmão que desce ao sombrio poço e de lá resgata seu semelhante, experimentando o frio e a escuridão, esse é caridoso. Não há caridade onde não exista humilhação.
É um grande infortúnio para a filosofia cristã a deformação do termo "humilhação". Parte fundamental da Paixão de Cristo é seu Calvário. E a humilhação ganha hoje um significado demasiado negativo e injusto. Devemos nos apequenar para ver o Senhor, na justa medida em que estivermos em igualdade com nossos irmãos. Para que nossos olhos enxerguem o mesmo horizonte, e vejam refletida a imagem de Deus. Não somos Deus para lhes olhar de cima, nem eles são criaturas condenadas ao fogo para nos olhar de baixo.
Vejo pessoas que praticam o auxílio e se engrandecem de suas ações. Pessoas, instituições inclusive. Melhor fazê-lo, é verdade, do que não fazê-lo, pois a soberba não necessita da boa ação para reinar sobre o coração dos homens. É como o artista que pinta um quadro e se intoxica com a tinta. A soberba é como o chumbo e o mercúrio, que aviva e impregna o colorido, mas pesa e defunta a alma.
Cáritas é uma virtude de fundamento teológico, ou seja, só pode ser caridoso, em tese, aqueles que acreditam numa verdade mística das coisas. É derivativa, porém não restritiva, da cultura judaico-cristã. Goza da caridade aquele que cede e traça vínculo afetivo com seu semelhante para, dessa forma, se aproximar de Deus.
Não há escadas que conduzem aos céus. Eis o que o Deus dos Judeus, que também é o Deus dos velhos e dos novos Cristãos, e que também é o Deus dos Muçulmanos, deixa claro para os filhos de Noé. A Torre de Babel é lançado ao chão, como o homem mais altivo volta ao pó inevitável.
O próprio Filho de Deus reafirma quando da Nova Aliança: não se chega ao Pai, se não através do Filho. Este Filho que ensina: amai-vos uns ao outros, como Eu vos amei.
Surge na caridade um caminho para Deus, é verdade. Pois aquele que ama o próximo como o Filho de Deus, e por ele tem afeto e o trata como igual, então chegará ao Pai. Então devo dizer que somos benevolentes, mas poucos são os caridosos.
Aqueles que estende a mão ao amigo que se encontra no fundo do poço, ou joga-lhe uma corda, pratica ajuda de grande valia e benevolência, mas não age para a caridade. O irmão que desce ao sombrio poço e de lá resgata seu semelhante, experimentando o frio e a escuridão, esse é caridoso. Não há caridade onde não exista humilhação.
É um grande infortúnio para a filosofia cristã a deformação do termo "humilhação". Parte fundamental da Paixão de Cristo é seu Calvário. E a humilhação ganha hoje um significado demasiado negativo e injusto. Devemos nos apequenar para ver o Senhor, na justa medida em que estivermos em igualdade com nossos irmãos. Para que nossos olhos enxerguem o mesmo horizonte, e vejam refletida a imagem de Deus. Não somos Deus para lhes olhar de cima, nem eles são criaturas condenadas ao fogo para nos olhar de baixo.
Vejo pessoas que praticam o auxílio e se engrandecem de suas ações. Pessoas, instituições inclusive. Melhor fazê-lo, é verdade, do que não fazê-lo, pois a soberba não necessita da boa ação para reinar sobre o coração dos homens. É como o artista que pinta um quadro e se intoxica com a tinta. A soberba é como o chumbo e o mercúrio, que aviva e impregna o colorido, mas pesa e defunta a alma.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Certas coisas na vida...não gosto. Certos refúgios, mantenho. Erro, piso nas pedras, cambaleio. Passos largos, outros comedidos. Me permito parar, somente quando quero, para observar a paisagem. Nem sempre o canto dos pássaros me encanta, nem sempre o gosto dos frutos me apetece. Mas, às vezes, sim. Só não quero voltar, retroceder. Quem me abandona no caminho, fica no caminho...ou continua a caminhar, não me importo. Meu espírito e meus olhos estão na vanguarda, na infantaria que é meu peito corajoso, aberto e ferido, que trava batalha incessante contra o desconhecido. Seguindo em frente, ainda assim, não é a chegada que me fascina: é acrescentar caminhos pelos quais desfile, soberana, a minha felicidade.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Lamentos
Ai, que me parece menos pesar o nada sentir,
E que a morte encontra depois quem tanto quer ir.
Não descanso do dever de convidar o por vir!
Aí, que me dói o peito da amiga despedir,
O coração bate frouxo, ou dá um aperto que faz zunir
Não amansa a pontada, quero de pronto cair.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
26
Tenho consciência que morro há mais de um quarto de século
Porque o destino da matéria sempre foi voltar a ser tubérculo
O vaso pronto, sobre a mesa, inicia sua jornada de artefato lançado
Que com tempo incerto encontrar-se-á em cacos estilhaçado
O barro é vaso
O caco é barro
O vaso é mosaico
Eis o sentido da vida sobre a qual eu escarro
Viver é, sobretudo, um acontecimento prosaico.
Volta da parapanã
Mariposa-albina
Mariposa montada em Pégasus, tão delicada e alva,
Não receberá convite para entrar em minha casa,
Traz consigo borboletas e minha quietude não se salva,
Por tanto lhe querer bem, Mariposa, voa, usa sua asa.
Mariposa que veio no inverno, por que chegou tardia?
Passou minha primavera, comi o fruto que da árvore pendia.
E mesmo no verão, poderia ver o sol que em mim ardia.
E hoje, minha casa, mesmo cheia, sem você é vazia.
Desta casa eu quero derrubar paredes e quebrar o muro.
Desde ti, cada dia, qualquer segundo, tudo calculo.
Levou meu mel, Mariposa, na minh’alma deixou um furo.
Tudo que mais quero é, já liberto, habitar em teu casulo.
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