quarta-feira, 18 de setembro de 2019

É noite e faz calor.
Não porque a noite é quente,
Faz calor em mim.
E não porque a noite é noite
Faz noite em mim,
E não durmo.
Se sou noite, é propício dormir.
Mas não venta.
Não venta a noite,
Porque nada faz vento em mim.
Um vento que lave e arranque,
Vento de tempestade
Ainda que faça tempestade em mim
Não vento. Não ventilo.
Há um sufoco asmático,
E meu alívio é um uivo.
Porque sou um animal noturno
Se sou, não é propício dormir.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Pré-existir não é diferente de existir,
Existe plena consciência do por-vir
Vaguear, isso é bem diferente de estar
Perdi recentemente os grilhões
E por isso não estou
Permaneço
Quando quero, quando há de se querer.
E se não quero, não fujo.
Fecho a porta como abri a porta.
É um estado resolutivo de poder ir
E querer ficar
Às vezes fico.
Minto.
Permaneço.
Porque só há um lugar para habitar
Em si
E ser de si
Como a garrafa vazia e cheio de ar
Tão cheia de si
Que mesmo vazia, ostenta um rótulo,
Mesmo que já lhe houvessem sorvido
Pois eles estão fartos,
Eu e a garrafa estamos plenos.