A vida é emaranhado de filamentos
Viver nada mais é que tecer;
Morrer é desfazimento de costuras.
Por isso morre-se tanto,
Morre-se todos os dias,
E a vida segue, sempre, por um fio.
Os dias comuns chamar-se-iam
Panos de saco...
Malfadados, tronchos e chatos
Que se passam ao chão
Que esfarelam pelo uso e pelo emprego
Que não se contam mais quando manchados
Toda fibra será castigada.
Tantos dias, haja saco!
Ah, o sexo! É meter linha na agulha...
Até coser e bordar outra vida,
Com a mesma intenção de Penélope:
A de não tecer o último ponto.
É o bilro da arte feitor do rendado.
E o amor? Tece a lã.
Na mesma roca em que prepara o sudário.
