Eram dois ilustres roedores, como se abservava pela espessura dos bigodes. Naquele tempo, que não deixa de ser assemelhar-se a esse, bigodes assim só os tinham acadêmicos e servidores públicos. Pela marcha de quem não cumpre horário, eram claramente - ou nem tanto - membros do primeiro e mais seleto grupo:
- Não se aproveitam as tardes de sol como nos tempos da Peste, doutor Sócrates.
- São esses desprezíveis dejetos humanos a emporcalhar as ruas, caro Aristóteles. E, acredite: mais alguns séculos e também os porcos viveram em tão lastimável situação.
- Seres humanos... Até hoje não entendo por que dedicastes tanto tempo, tantas e tantas fatias de parmesão com os amigos abdicastes, só para estudar a mediocre psicologia desta subespécie!
- Caríssimo, muito me arrependo; fato. Depois de nos servirem por tanto tempo como cobaias na seara das ciências biológicas, enganei-me acreditando que poderia aliar o estudo do seu patético sistema nervoso às análises de maior profundidade psicológica. Tudo isso porque muito me intrigava o fato de suas crias serem tão ou mais desenvolvidas que os indivíduos adultos.
- Seres confusos, talvez apenas sejam uma anedota mal feita pela Natureza. Veja, por exemplo: choram inutilmente quando filhotes e, ao crescer, quando mais necessitam das lágrimas para o bom funcionamento do aparelho cardíaco, cessam o pranto! Mas diga-me, a que resultados chegastes?
- Aquilo que nós todos já sabiamos... são mais tapados que chimpanzes, mas possuem um admirável sistema excretor!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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