Você me ensinou a ser louco, sabia?
Se não fosse tua testa lisa,
juraria que ensinara também o Erasmo.
Eu posso jurar,
Olívia da Lívida Testa,
que ainda deixarás in-sã
toda a cidade de Rotterdam.
Sei também que tirarás a razão
dessa tão burocrática e mal-amada literatura
com as palavras loucas,
loucas e belas,
loucas e novas,
loucas e tuas,
que saem dessa testa.
Eu não sei que milagre tem a tua fronte
que zombou do tempo ao alisar as rugas.
Que dádiva tem a tua loucura, me diz?
Essa insanidade repleta de certeza...
Não é preciso ser certo pra ser feliz.
Ensina o mundo obeso,
de bigode e paletó,
que é pra girar feito bailarina,
feito pião, feito liquidificador, feito pomba-gira.
Feito qualquer porcaria
que não sabe porque se revira.
Esse teu dom tanto me impressiona...
eu mesmo já estou confuso.
Exalto tua testa ou tua poesia?
Exalto tua incerteza e,
principalmente,
tua lição:
deixai o sentido se tens a letra na mão.
Ah, e por que escrevi trinta e dois versos?
Eu não sei. Eu não tenho explicação.
sábado, 17 de julho de 2010
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