Aquele que tanto me tirou
Não tomou para si a alegria de viver
Pois ele me viu sucumbir por amor
E me levantar pelo amor d'outros
E me viu me entregar
Sem gozar do mesmo
E me viu partir, cheio das ânsias de voltar
Para partir, derradeiro, desejoso de mim mesmo
E tanto adicionei, preposto e aditivo
Que mesmo em tom de suplício
Dava-me a mim mesmo por querer lhe ser o todo
Mas não me fiz de tolo, fui tudo e mui antes
Meu melhor, primeiro e último amante
De tudo que senti, com sinceridade pueril
E nunca vivi o engano
Fui rei e paisano, coroado no anonimato de viver só
Aquele que nunca se entregou ao pó
Ciente de transcender pelo amor
Cativo de amar e tornar a amar mais que a vida
Fiz da minha despedida um poema sem rima
Sem adeus e cheio de si.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
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