domingo, 30 de setembro de 2012

Augusto dos dias meus.


Cadáver putrefeito,
que fazes dançando nesse banco de areia?
Por que te espraias ao sol,
conquanto tua pele não faz subir à epiderme a melanina de outrora?
Por que exibir esse olor
de vísceras diluídas e salgadas se hoje é dia de sol?
Hoje é dia de pequenas conchas na praia,
de moças felizes na areia terna do vigésimo primeiro de fevereiro.
Retorna tua morbidez às correntes profundas,
ao mais abissal oceano,
pois corrente nenhuma quer passar pelas tuas veias!
Mulher nenhuma quer a tua lembrança num dia de sol.
O escuro das águas encerra teu corpo...
Já não podes apetecer sequer as oportunistas gaivotas!

*Numa repente lembrança de Augusto dos Anjos!

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