quarta-feira, 30 de outubro de 2024

 Chega o tempo de preferir o poer do sol, compor o fim do dia à noite mansa.

É o tempo dos amigos raros, dos destinos calmos, sagaz a idade avança.

Querer o aconchego dela, o jantar, a vela, o jazz, três passos de dança.

Não ser bicho noturno, nem matutino matuto, melhor aproveitar a tardança.

Saber do beijo preguiçoso que conta os dentes, sem a boca coçosa de criança.

Eis o novo vinho da vida: uma tardezinha púrpura entre a vizinhança.

O amor, audaz, com cor avessa à costumaz, pintou de lilás a esperança. 


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