Chega o tempo de preferir o poer do sol, compor o fim do dia à noite mansa.
É o tempo dos amigos raros, dos destinos calmos, sagaz a idade avança.
Querer o aconchego dela, o jantar, a vela, o jazz, três passos de dança.
Não ser bicho noturno, nem matutino matuto, melhor aproveitar a tardança.
Saber do beijo preguiçoso que conta os dentes, sem a boca coçosa de criança.
Eis o novo vinho da vida: uma tardezinha púrpura entre a vizinhança.
O amor, audaz, com cor avessa à costumaz, pintou de lilás a esperança.

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