Sobre exercitar o sentir
Os preguiçosos de plantão e uma quase totalidade dos usuários do Facebook sabem bem o significado da palavra procrastinar. Poucos se dão conta, contudo, que o hábito se tornou corriqueiro também na experiência do sentir e de pensar nossos sentimentos. Deixamos a paixão, a fúria, o amor - e falta dele - numa pilha de relatórios sentimentais não processados.
Assim como no trabalho da faculdade, ou na papelada do escritório, só percebemos o custo de nosso desleixo no dia D: "vou aproveitar o dia de folga para colocar tudo em ordem". Quanto ao que fazemos, podemos correr atrás do prejuízo. Quanto ao que sentimos, sempre será tarde demais.
Sentimentos são irreparáveis, evoluindo ou regredindo enquanto dormimos, comemos, escovamos os dentes. Quando você decide tirar aquele tempo para analisar o panorama das suas relações interpessoais, nenhum dado é suficientemente confiável e as dúvidas eclodem feito brotoejas. Deixam marcas, incomodam, e sem a ajuda de um profissional, não saberemos se foi um fungo, uma alergia, uma palavra não dita. Por fim, o relatório, o diagnóstico e a auto-análise não fecham.
Foi o que aconteceu comigo e, por mais pretensioso e bem resolvido que você seja, é exatamente o que está acontecendo na sua vida enquanto corre os olhos pelas minhas palavras mal colocadas. Fique tranquilo, assim como aquele horóscopo de domingo, ninguém precisa saber que você leu e, muito menos, seguiu meus conselhos. Breves recomendações:
Por mais apegados que sejamos, tenha total consciência de que Vinícius de Moraes estava certo: nenhum amor é "imortal, posto que é chama". Nem tão imensurável dentro do seu prazo de validade. Tenha em mente quem você ama e faça reparos constantemente na relação de afeto entre vocês. Amar é um exercício diário e impostergável de sensibilidade. Uma coisa chata e necessária. O mesmo vale para os desafetos: nada pior que aquela erva-daninha do "ah, pensando bem..." brotando entre você é um ex-amigo que te deve dinheiro.
Fale primeiro e pense depois. Isso vale para 100% das relações que estão no início. 80% para pais e filhos (60% antes da aprovação da Lei da Palmada).50% para os casados. Não vale para os noivos, nem para sua relação com a sogra - infelizmente. Como já dito, sentir e sentir algo por alguém é um exercício exaustivo de pequenos reparos. Quebre algumas coisas para que você tenha um ofício e não caia em depressão.
Aliás, uma das consequências mais aflitivas da procrastinação emocional é a depressão. Entenda que ela existe, é um acumulo exagerado de relatórios internos não processados. Procure ajuda. Temos a tendência de abandonar aquilo que consideramos impossível de resolver. Ainda pior é quando ateamos fogo e morremos no incêndio. Naquele emaranhado de sensações incompreensíveis existem informações importantes sobre quem você é e pode vir-a-ser.
Existe ainda aquela velha desculpa de deixar nossas tarefas para depois porque fulano ainda não fez a parte que lhe competia. Faça o que pode ser feito e esqueça aquele quase mantra de que toda panela tem uma tampa. Podemos ser frigideiras e até mesmo peças de um faqueiro. Sentir é uma construção individual e não exige reciprocidade. Exige apenas bom-senso, o que muita gente, assim como eu, não tem. Charlie Kaufman tinha bastante razão quando escreveu no roteiro do filme Adaptação a frase “você é aquilo que você ama, não quem ama você". Mas é incompetência demais sofrer a vida inteira por amor e não encontrar, em meio a 7 bilhões de pessoas, alguém que lhe retribua carinho.
Por mais que se faça, por mais que eu, Augusto Cury e as letras de Legião Urbana façamos por você, sentir sempre será complicado. Quando as brotoejas aparecerem, trate-as.
Assim como no trabalho da faculdade, ou na papelada do escritório, só percebemos o custo de nosso desleixo no dia D: "vou aproveitar o dia de folga para colocar tudo em ordem". Quanto ao que fazemos, podemos correr atrás do prejuízo. Quanto ao que sentimos, sempre será tarde demais.
Sentimentos são irreparáveis, evoluindo ou regredindo enquanto dormimos, comemos, escovamos os dentes. Quando você decide tirar aquele tempo para analisar o panorama das suas relações interpessoais, nenhum dado é suficientemente confiável e as dúvidas eclodem feito brotoejas. Deixam marcas, incomodam, e sem a ajuda de um profissional, não saberemos se foi um fungo, uma alergia, uma palavra não dita. Por fim, o relatório, o diagnóstico e a auto-análise não fecham.
Foi o que aconteceu comigo e, por mais pretensioso e bem resolvido que você seja, é exatamente o que está acontecendo na sua vida enquanto corre os olhos pelas minhas palavras mal colocadas. Fique tranquilo, assim como aquele horóscopo de domingo, ninguém precisa saber que você leu e, muito menos, seguiu meus conselhos. Breves recomendações:
Por mais apegados que sejamos, tenha total consciência de que Vinícius de Moraes estava certo: nenhum amor é "imortal, posto que é chama". Nem tão imensurável dentro do seu prazo de validade. Tenha em mente quem você ama e faça reparos constantemente na relação de afeto entre vocês. Amar é um exercício diário e impostergável de sensibilidade. Uma coisa chata e necessária. O mesmo vale para os desafetos: nada pior que aquela erva-daninha do "ah, pensando bem..." brotando entre você é um ex-amigo que te deve dinheiro.
Fale primeiro e pense depois. Isso vale para 100% das relações que estão no início. 80% para pais e filhos (60% antes da aprovação da Lei da Palmada).50% para os casados. Não vale para os noivos, nem para sua relação com a sogra - infelizmente. Como já dito, sentir e sentir algo por alguém é um exercício exaustivo de pequenos reparos. Quebre algumas coisas para que você tenha um ofício e não caia em depressão.
Aliás, uma das consequências mais aflitivas da procrastinação emocional é a depressão. Entenda que ela existe, é um acumulo exagerado de relatórios internos não processados. Procure ajuda. Temos a tendência de abandonar aquilo que consideramos impossível de resolver. Ainda pior é quando ateamos fogo e morremos no incêndio. Naquele emaranhado de sensações incompreensíveis existem informações importantes sobre quem você é e pode vir-a-ser.
Existe ainda aquela velha desculpa de deixar nossas tarefas para depois porque fulano ainda não fez a parte que lhe competia. Faça o que pode ser feito e esqueça aquele quase mantra de que toda panela tem uma tampa. Podemos ser frigideiras e até mesmo peças de um faqueiro. Sentir é uma construção individual e não exige reciprocidade. Exige apenas bom-senso, o que muita gente, assim como eu, não tem. Charlie Kaufman tinha bastante razão quando escreveu no roteiro do filme Adaptação a frase “você é aquilo que você ama, não quem ama você". Mas é incompetência demais sofrer a vida inteira por amor e não encontrar, em meio a 7 bilhões de pessoas, alguém que lhe retribua carinho.
Por mais que se faça, por mais que eu, Augusto Cury e as letras de Legião Urbana façamos por você, sentir sempre será complicado. Quando as brotoejas aparecerem, trate-as.

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